
O nível do Rio Miranda voltou a subir e entrou em uma faixa de atenção crítica em Mato Grosso do Sul. Nesta quarta-feira (14), o rio atingiu 6,80 metros, ficando a apenas 20 centímetros da cota de emergência, estabelecida em 7 metros. Diante do avanço das águas e da previsão de novas chuvas, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) emitiu um aviso de evento crítico para o município de Miranda.
De acordo com o órgão estadual, a medição foi registrada às 14h09 pela Sala de Situação, responsável pelo acompanhamento dos níveis dos rios no Estado. O alerta considera o potencial de danos materiais e os riscos à integridade das pessoas caso a situação se agrave.
A elevação ocorre após dias de chuvas que atingiram diferentes regiões de Mato Grosso do Sul e provocaram mudanças significativas no comportamento dos cursos d’água.
A subida do Rio Miranda chama a atenção pela velocidade com que ocorreu e por ser registrada em outubro, período em que a região pantaneira costuma enfrentar condições de estiagem e maior preocupação com queimadas.
Conforme medições divulgadas pelo Imasul, o nível do rio chegou a 5,95 metros na segunda-feira (12), avançou para 6,49 metros na terça-feira (13) e alcançou 6,76 metros na medição das 7h desta quarta-feira. No início da tarde, atingiu 6,80 metros.
O avanço das águas mantém o município em estado de atenção, especialmente nas áreas próximas ao leito do rio. A cota de alerta da estação é de 6 metros, enquanto a de emergência está fixada em 7 metros.
O cenário exige acompanhamento contínuo para identificar possíveis mudanças no nível e orientar as medidas preventivas necessárias.
A preocupação aumenta diante da possibilidade de continuidade das precipitações na bacia hidrográfica do Rio Miranda.
Segundo informações divulgadas pelo Imasul, a previsão meteorológica indica possibilidade de novas pancadas de chuva pelo menos até quinta-feira (15). A ocorrência de novos volumes significativos pode contribuir para a continuidade da elevação das águas.
O comportamento dos rios depende não apenas da chuva registrada nas áreas urbanas, mas também das precipitações nas regiões de cabeceira e em outros pontos da bacia hidrográfica. Por isso, mesmo quando a chuva diminui em determinada localidade, o nível do rio pode continuar subindo em razão da água que chega de outras áreas.
Moradores de regiões próximas ao curso d’água devem acompanhar os comunicados oficiais e seguir as orientações da Defesa Civil e das autoridades locais.
O boletim hidrológico do Imasul mostra que a elevação das águas não ocorre de maneira uniforme em todo o Estado.
No Rio Dourados, o nível chegou a 2,85 metros nesta quarta-feira, ficando próximo da cota de alerta, estabelecida em 3,10 metros.
Já no Rio Pardo, na estação Fazenda Buriti, a medição alcançou 4,61 metros, permanecendo abaixo do limite de alerta de 5,30 metros.
Em sentido contrário, o Rio Taquari, em Coxim, apresentou redução e registrou 3,90 metros, ficando abaixo da cota de alerta de 4 metros. O Rio Aquidauana, na estação de Palmeiras, também apresentou queda, chegando a 2,77 metros.
No Pantanal, o Rio Paraguai registrou pequenas elevações em pontos monitorados, como Ladário, Porto Esperança e Porto Murtinho, mas os níveis permaneciam abaixo das respectivas cotas de alerta no boletim divulgado pela manhã.
Os dados reforçam a importância do monitoramento individual de cada estação, já que as condições variam conforme a localização e as características de cada bacia.
Em Ponta Porã, a elevação do Rio Apa provocou danos em uma ponte localizada no Assentamento Boa Vista. Como medida preventiva, a prefeitura determinou a interdição da estrutura para veículos e pedestres.
Equipes da Secretaria Municipal de Obras foram mobilizadas para avaliar as condições do local e impedir a circulação até que haja segurança para a passagem.
O episódio evidencia os possíveis impactos das chuvas intensas sobre a infraestrutura e a mobilidade em áreas rurais.
O acompanhamento dos níveis dos rios é realizado pela Sala de Situação do Imasul, que utiliza informações de estações distribuídas pelas bacias dos rios Paraguai e Paraná. A rede estadual conta com 14 estações telemétricas, com dados obtidos por meio do Sistema Hidro, mantido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
As informações permitem comparar as medições com as cotas de alerta e emergência definidas para cada ponto monitorado, contribuindo para a identificação de situações que exigem atenção das autoridades.
Diante da proximidade do Rio Miranda com o nível de emergência e da previsão de novas chuvas, a orientação é evitar áreas sujeitas a alagamentos, não tentar atravessar trechos inundados ou com correnteza e seguir as recomendações dos órgãos de proteção e defesa civil.
As próximas medições serão importantes para avaliar a evolução do nível do rio e verificar se a tendência de elevação continuará nos próximos dias.
Fonte: Imasul — Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul; Agência de Notícias do Governo de Mato Grosso do Sul; Correio do Estado.
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